Reciclagem: Como separar o lixo corretamente na sua casa?

A reciclagem reduz, de forma importante, impacto sobre o meio ambiente: diminui as retiradas de matéria-prima da natureza, gera economia de água e energia e reduz a disposição inadequada do lixo. Além disso, é fonte de renda para os catadores.

Ana Carolina

A preservação do meio ambiente começa com pequenas atitudes diárias, que fazem toda a diferença. Uma das mais importantes é a reciclagem do lixo. As vantagens da separação do lixo doméstico ficam cada vez mais evidentes. Além de aliviar os lixões e aterros sanitários, chegando até eles apenas os rejeitos (restos de resíduos que não podem ser reaproveitáveis), grande parte dos resíduos sólidos gerados em casa pode ser reaproveitada. A reciclagem economiza recursos naturais e gera renda para os catadores de lixo, parte da população que depende dos resíduos sólidos descartados para sobreviver.

Segundo a última pesquisa Nacional de Saneamento Básico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são recolhidas no Brasil cerca de 180 mil toneladas diárias de resíduos sólidos. O rejeito é resultante de atividades de origem urbana, industrial, de serviços de saúde, rural, especial ou diferenciada. Esses materiais gerados nessas atividades são potencialmente matéria prima e/ou insumos para produção de novos produtos ou fonte de energia.

Mais da metade desses resíduos é jogado, sem qualquer tratamento, em lixões a céu aberto. Com isso, o prejuízo econômico passa dos R$ 8 bilhões anuais. No momento, apenas 18% das cidades brasileiras contam com o serviço de coleta seletiva. Ao separar os resíduos, estão sendo dados os primeiros passos para sua destinação adequada. Com a separação é possível: a reutilização; a reciclagem; o melhor valor agregado ao material a ser reciclado; as melhores condições de trabalho dos catadores ou classificadores dos materiais recicláveis; a compostagem; menor demanda da natureza; o aumento do tempo de vida dos aterros sanitários e menor impacto ambiental quando da disposição final dos rejeitos.

 

O QUE É RECICLÁVEL?

É reciclável todo o resíduo descartado que constitui interesse de transformação de partes ou o seu todo. Esses materiais poderão retornar à cadeia produtiva para virar o mesmo produto ou produtos diferentes dos originais.
Por exemplo: Folhas e aparas de papel, jornais, revistas, caixas, papelão, PET, recipientes de limpeza, latas de cerveja e refrigerante, canos, esquadrias, arame, todos os produtos eletroeletrônicos e seus componentes, embalagens em geral e outros

 

O QUE NÃO É RECICLÁVEL?

Papel-carbono, etiqueta adesiva, fita crepe, guardanapos, fotografias, filtro de cigarros, papéis sujos, papéis sanitários, copos de papel. Cabos de panela e tomadas. Clipes, grampos, esponjas de aço, canos. Espelhos, cristais, cerâmicas, porcelana. Pilhas e baterias de celular devem ser devolvidas aos fabricantes ou depositadas em coletores específicos.

 

 

COMO REDUZIR O CONSUMO?

Há algumas mudanças de hábito que você pode adotar para reduzir o consumo e diminuir a quantidade de lixo produzido, como:

  • Prefira louças de vidro ou de outros materiais não descartáveis.
  • Quando possível, evite comprar produtos em embalagens e dê preferência para as opções a granel.
  • Procure por produtos que ofereçam refis e embalagens retornáveis.
  • Não desperdice alimentos, compre e cozinhe a quantidade que for consumir.
  • Caso tenha espaço em casa, faça compostagem.

COMO O LIXO MAL DESCARTADO PREJUDICA O MEIO-AMBIENTE?

Os dejetos expostos a céu aberto provocam um tipo de combustão que libera gases que contribuem para o agravamento do efeito estufa, como o gás natural metano (CH4). O Brasil ainda possui uma quantidade grande de lixões, são quase 3 mil no país em cerca de 1.600 cidades.

Ao contrário dos aterros sanitários, o terreno dos lixões não possui nenhum tipo de isolamento ou impermeabilidade. Neles, o lixo acumulado libera o chorume, que infiltra no solo e contamina os lençóis freáticos. Os lixões também são locais propensos à proliferação de vetores que causam doenças.

 

LIXOS RECICLÁVEIS X LIXOS NÃO RECICLÁVEIS

Descartar o lixo corretamente não depende apenas da nossa intuição ou da aparência do material que está sendo descartado. Há uma série de coisas que não são recicláveis ou não podem ir para o lixo comum. Separamos aqui as mais comuns no nosso dia a dia:

COMO SEPARAR O LIXO DOMÉSTICO?

Não misture recicláveis com orgânicos – sobras de alimentos, cascas de frutas e legumes. Coloque plásticos, vidros, metais e papéis em sacos separados.

Lave as embalagens do tipo longa vida, latas, garrafas e frascos de vidro e plástico. Seque-os antes de depositar nos coletores.

Papéis devem estar secos. Podem ser dobrados, mas não amassados.

Embrulhe vidros quebrados e outros materiais cortantes em papel grosso (do tipo jornal) ou colocados em uma caixa para evitar acidentes. Garrafas e frascos não devem ser misturados com os vidros planos.

E AS EMBALAGENS MISTAS: FEITAS DE PLÁSTICO E METAL, METAL E VIDRO E PAPEL E METAL?
Nas compras, prefira embalagens mais simples. Mas, se não tiver opção, desmonte-a separando as partes de metal, plástico e vidro e deposite-as nos coletores apropriados. No caso de cartelas de comprimidos, é difícil desgrudar o plástico do papel metalizado, então descarte-as junto com os plásticos. Faça o mesmo com bandejas de isopor, que viram matéria-prima para blocos da construção civil.

 

COMO POSSO DESCARTAR O LIXO RECICLÁVEL?

Verifique se sua região possui sistemas de coleta seletiva. Várias cidades brasileiras já possuem sistemas que promovem a reciclagem, inclusive com a passagem de caminhões de coleta seletiva pelos bairros. Em São Paulo, por exemplo, todo o município é atendido por um programa de coleta seletiva, você pode verificar aqui quando seu bairro é atendido pelo sistema. Várias cidades brasileiras também promovem a coleta seletiva, como Recife, que também conta com um aplicativo de celular que auxilia a promoção da coleta, Rio de JaneiroBelo HorizonteCuritba e Manaus.

Há sistemas de coleta seletiva que não exigem que o lixo seja separado de acordo com as cores, apenas exigem que os separe do lixo orgânico e não-descartável. Caso sua região não seja atendida por sistemas de coleta seletiva, há prefeituras e empresas que contam com locais que recebem o material reciclado.

OUTRAS DICAS:

Papéis: todos os tipos são recicláveis, inclusive caixas do tipo longa-vida e de papelão. Não recicle papel com material orgânico, como caixas de pizza cheias de gordura, pontas de cigarro, fitas adesivas, fotografias, papéis sanitários e papel-carbono.

Plásticos: 90% do lixo produzido no mundo são à base de plástico. Por isso, esse material merece uma atenção especial. Recicle sacos de supermercados, garrafas de refrigerante (pet), tampinhas e até brinquedos quebrados.

Vidros: quando limpos e secos, todos são recicláveis, exceto lâmpadas, cristais, espelhos, vidros de automóveis ou temperados, cerâmica e porcelana.

Metais: além de todos os tipos de latas de alumínio, é possível reciclar tampinhas, pregos e parafusos. Atenção: clipes, grampos, canos e esponjas de aço devem ficar de fora.

Isopor: Ao contrário do que muita gente pensa, o isopor é reciclável. No entanto, esse processo não é economicamente viável. Por isso, é importante usar o isopor de diversas formas e evitar ao máximo o seu desperdício. Quando tiver que jogar fora, coloque na lata de plásticos. Algumas empresas transformam em matéria-prima para blocos de construção civil.

 

CURIOSIDADES:

  • A reciclagem de uma única lata de alumínio economiza energia suficiente para manter uma TV ligada durante três horas.
  • Cerca de 100 mil pessoas no Brasil vivem exclusivamente de coletar latas de alumínio e recebem em média três salários mínimos mensais, segundo a Associação Brasileira do Alumínio.
  • Uma tonelada de papel reciclado economiza 10mil litros de água e evita o corte de 17 árvores adultas.
  • Cada 100 toneladas de plástico reciclado economizam 1 tonelada de petróleo.
  • Um quilo de vidro quebrado faz 1kg de vidro novo e pode ser infinitamente reciclado.
  • O lacre da latinha não vale mais e não deve ser vendido separadamente. As empresas reciclam a lata com ou sem o lacre. Isso porque o anel é pequeno e pode se perder durante o transporte.
  • Para produzir 1 tonelada de papel é preciso 100 mil litros de água e 5 mil KW de energia. Para produzir a mesma quantidade de papel reciclado, são usados apenas 2 mil litros de água e 50% da energia.
  • Cada 100 toneladas de plástico economizam uma tonelada de petróleo.
  • O vidro pode ser infinitamente reciclado.

 

AGORA QUE VOCÊ JÁ SABE COMO SEPARAR O LIXO, QUE TAL IMPLANTAR A COLETA SELETIVA NA SUA CASA?

Grande parte do lixo que jogamos fora são parecidos e, por isso, não dão trabalho para separar. Reciclagem é um ótimo caminho para garantirmos um futuro melhor para todos. Que tal começar a separar seu lixo para a coleta seletiva?